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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009


A efemeridade da vida


O resultado de pensar na minha vida não tem sido muito favorável a mim, fico a pensar em tudo, num instante faço uma viagem alucinante pelos meus últimos três anos em que mudei de cidade, de rotina, de círculo de amigos,de ambiente, de comportamento, de cultura....
Tudo vem e vai numa rapidez estúpida e cruel, nem ao menos temos a chance de nos despedir daquilo que parecia tão certo e agradável. Pessoas, sonhos, vontades vem tão rápidas quanto vão, e apenas sobra um pensamento “foi bom enquanto durou”. Realmente, a vida é isso, um turbilhão de coisas que são boas enquanto duram, apesar de quase não perdurarem por muito.
Tenho saudades de algumas coisas (e pessoas) que se perderam no caminho....
Me pergunto se a vivacidade se transformou em algo mais calmo, não tão impulsivo. Assisto à possibilidade de mudanças repentinas, que procuro continuamente mas, que me trazem medo como acréscimo. Medo daquilo que não conheço, daquilo que poderá ser, das consequências das minhas decisões, tomadas por vezes no próprio instante. Até que ponto me identifico com esta corda bamba entre a tendência do comodismo e conformismo de uma vida regular e uma incessante vontade de procurar sempre algo novo, que me faça sentir que aprendi mais um pouco, que cresci mais um pouco.
Na teoria tudo parece fácil, lindo, e bastaria escolhermos se chutamos o balde ou se nos conformamos com o que é agradável mesmo não sendo o mais "desejado" ou lutar pra chegar ao pote de ouro no final do arco-íris, sem lamentar ter se enforcado na corda bamba, e sem se arrepender de ter subido nela. Fazer a escolha certa ou errada mas sem medo das suas conseqüências e saber que nem sempre nos é permitido voltar a trás e começar de novo, ou nos enforcamos de vez ou livramo-nos da maldita corda da indecisão.
Até tenho certezas de algumas coisas, mas no entanto é tudo tão vulnerável às transformações das minhas decisões que fico receosa. Espero e tento sempre que haja evolução mas quando chega à hora e me deparo com a mudança necessito de parar. Assusto-me. Receio.

Recordo o que fui, sinto-me grata por todas as recordações que guardo. Contudo também tenho momentos em que apenas gostava de presenciar aquilo que vivi, aquilo que senti. Ao longo do tempo, vou ganhando a consciência de que há coisas que só se vivem uma vez na vida...e mesmo que tenhamos a oportunidade de vivê-las mais uma vez, passar pela experiência de novo...nada é igual. Os sentimentos mudam, as pessoas tornam-se diferentes e aqueles que julgávamos eternos ontem, hoje já não o são...

E é tudo isto que, por vezes, me paralisa e me faz tentar não parar e pensar na vida, de modo a não sucumbir às incertezas e apenas esperar que as opções tomadas sejam as mais corretas.

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